Tudo o que você precisa saber sobre Incontinência Fecal

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Imagine você ter que usar fraldas diariamente pois não consegue controlar suas próprias fezes, isso é a Incontinência Fecal. Pois é, infelizmente, este é um problema comum na nossa sociedade.

A incontinência Fecal (hoje chamada de Incontinência Anal) é infelizmente um problema social e médico com grande impacto socioeconômico: representa na América a segunda causa de hospitalização de idosos em asilos e casas para idosos, com uma despesa de mais de $400 mil em fraldas e absorventes geriátricos!

Como funciona a digestão:

Antes de prosseguir, vamos entender como funciona o sistema digestivo. Confira o infográfico abaixo com a explicação do Dr. Fábio Atui.

Incontinência Fecal
Infográfico mostra como funciona o sistema digestivo

O funcionamento da evacuação:

O ânus é o orifício no final do intestino grosso, por onde são eliminadas as fezes e gases intestinais.  A musculatura de suporte do ânus é a do períneo, juntamente com os esfíncteres interno e externo da região (sendo o esfíncter externo, controlado voluntariamente pelo homem).  O nervo que controla o ânus, enviando informações reflexas em relação ao desejo evacuatório ao cérebro e controlando impulsos de contração dos músculos da região é chamado de pudendo.

Para que haja controle de tudo o que sai do ânus, o corpo depende da  ação integrada de várias funções do corpo:

  • musculatura esfincteriana anal e dos músculos do assoalho pélvico
  • presença do reflexo inibitório reto-anal
  • capacidade, sensibilidade e complacência retal
  • consistência das fezes
  • tempo de trânsito intestinal.

O que é Incontinência Fecal?

A Incontinência Fecal pode ser definida como a perda do controle esfincteriano ou como a inabilidade de se postergar uma evacuação ou perda de flatos em situações em que socialmente não estamos em condições adequadas para tal, resultando na perda inesperada de gás, fezes líquidas ou sólidas, em indivíduos acima de 4 anos. Isto ocorre quando alguma das estruturas citadas acima não está realizando sua ação corretamente. Há também, a pseudo-incontinência, onde nas situações de impactação fecal ou fecaloma retal (grande massa de fezes empedradas e endurecidas), a presença fezes no intestino  promove uma irritação da mucosa que, secretando muco e associando-se aos resíduos fecais, pode gerar uma incontinência por transbordamento. Sua incidência exata na população é ainda desconhecida, porém estima-se que esteja entre 0,1 a 5% dos indivíduos de ambos os sexos e várias idades.

Quem pode ter Incontinência Fecal?

  • mulheres acima dos 50 anos (dentre elas, 3% das mulheres que tiveram parto normal)
  • Pessoas que apresentam diarreia crônica ao longo da vida
  • Pessoas que tenham diabetes
  • Mulheres jovens que sofreram algum trauma obstétrico (acidente durante o parto)
  • Crianças que realizaram alguma cirurgia para correção ano-retal
  • Pessoas que possuem fístula na região perineal (vagina ou ânus)
  • Pessoas que tiveram lesão do esfíncter anal externo
  • Pessoas que possuem fraqueza do esfíncter anal externo
  • Pessoas que abusaram do uso de laxantes
  • Quem possui Síndrome do Intestino Curto
  • Idosos com demência
  • Pessoas que sofreram de constipação Intestinal durante a vida
  • Doenças Neurológicas (Lesões da medula espinhal, esclerose múltipla, mielomeningocele, AVC)
  • Tumores cerebrais (na região cerebral que controla a atividade muscular anal) ou no assoalho pélvico

Existe Tratamento?

A resposta é sim. Esta patologia possui o mesmo sistema que a Incontinência Urinária, porém para saber qual o procedimento correto a realizar precisamos saber as causas da Incontinência.

  • Reeducação alimentar: dieta com o objetivo de alterar a consistência das fezes, pois se estas estiverem muito líquidas, podem dificultar o controle do ânus para retê-las. São incluídos na alimentação diária, comidas que consigam endurecer as fezes
  • Cirurgia: é realizada uma operação para reconstruir a parte lesada do ânus, nos casos em que houve algum trauma na região, ou para corrigir alguma estrutura e retomar sua função
  • Injetáveis: aplicação de injeções de biomaterial (phenylephrine), silicone e carbono carbolítico colocadas no espaço inter-esfincteriano e submucoso
  • Medicamentos: fenilefrina tópica ou amiltriptilina, utilizados em casos onde há urgência para evacuar e falta de controle para a saída de fezes, pois eles auam como agentes constipantes e antidepressivos
  • Fisioterapia: técnicas com treinamento do assoalho pélvico, biofeedback, eletroestimulação e balonete intra-retal, que busquem tratar a coordenação motora do ânus, força muscular perineal e sensibilidade retal

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